Controle de estadia
A conta da estadia se perde entre o portão e a doca.
O caminhão entrou às 8h e encostou às 11h. Essas três horas existiram, custaram dinheiro a alguém, e não estão escritas em lugar nenhum — por isso a discussão de detention acontece três dias depois, por telefone, e termina com quem tem mais fôlego. O registro por etapa muda a conversa: ela passa a ser sobre um papel que o motorista assinou no portão.
Por que um número só não resolve
"Ficou seis horas" não decide nada. Seis horas de doca é uma operação lenta; seis horas de pátio é uma planta que não tinha onde receber. As duas frases levam a ações opostas, e a conta cai em lados diferentes da mesa.
O tempo de espera não tem dono
A hora de chegada é da transportadora, a hora de encostar é da planta, e o meio do caminho não é reivindicado por ninguém. É exatamente aí que mora a maior parte do excedente.
O remanejamento não deixa rastro
A torre decide por rádio qual doca recebe qual veículo, dezenas de vezes por turno. A decisão some com a ligação, e depois ninguém reconstrói por que aquele caminhão esperou.
O aceite vem tarde demais
Um relatório enviado por e-mail depois do fato é uma proposta. O mesmo relatório assinado com o motorista ainda no portão é um documento.
As cinco etapas que a conta precisa separar
O total sozinho não sustenta uma conferência. O que sustenta é o total dividido, com as partes somando exatamente o todo.
- 1
Entrada pelo portãoMarca o início
A portaria registra a placa e o veículo passa a existir na planta. É este carimbo que marca o começo da contagem — não a chegada à doca.
- 2
Espera no pátioImprodutivo
O intervalo entre o portão e a primeira doca. Costuma ser o maior tempo do dia e é o que some dos controles feitos à mão, porque nesse período ninguém está trabalhando no veículo e ninguém anota.
- 3
Em docaProdutivo
O veículo encostado, com carga ou descarga em andamento. Cada parada tem o horário combinado ao lado do realizado, então o atraso aparece na etapa em que ele nasceu.
- 4
Espera entre paradasImprodutivo
Quando a planta tem recebimento segregado, o veículo sai de uma doca e espera pela próxima. Esse intervalo é espera, e continua sendo contado como pátio.
- 5
Saída pelo portãoMarca o fim
Fecha a conta. O relatório sai com o total, o tempo livre contratado e o excedente, e o motorista assina antes de deixar a planta.
Quem produz cada carimbo
Nenhuma etapa depende de alguém lembrar de anotar. Cada marca nasce de uma ação que a operação já faz — e cada função enxerga apenas a própria tela.
Portaria
Registra a entrada e libera a saída. Os dois extremos da conta, e a impressão do relatório com campo de aceite.
Torre de controle
Direciona o veículo para a doca. É a decisão que hoje se perde no rádio, e é o que explica o tempo de pátio depois.
Doca
Confirma que encostou, que terminou e que liberou. É o que separa tempo produtivo de espera.
O percurso completo, tela a tela, está em gestão de docas e pátio.
Perguntas frequentes
- O que é estadia, e por que ela é diferente de demurrage?
- Estadia — detention, no contrato em inglês — é o tempo em que o veículo e o motorista ficam parados na planta além do tempo livre combinado. Demurrage costuma se referir ao equipamento retido fora da janela (contêiner, carreta), não à pessoa esperando. Na prática do dia a dia, o que se discute na conferência é a estadia: o caminhão ficou seis horas e o contrato dava três.
- Por que a discussão de estadia quase sempre trava?
- Porque ninguém tem o mesmo número. A transportadora tem a hora que o motorista anotou; a planta tem a hora que alguém lembrou de registrar; e o intervalo entre a portaria e a primeira doca — que costuma ser o maior do dia — não está em lugar nenhum. Sem registro por etapa, vira palavra contra palavra, e quem paga é quem não tem o papel.
- Qual a diferença entre tempo de pátio e tempo de doca?
- Tempo de doca é produtivo: o veículo está encostado e alguém está carregando ou descarregando. Tempo de pátio é espera — o caminhão está na planta e ninguém está trabalhando nele. Somar os dois num número só apaga exatamente a informação que decide a conta, porque atraso de doca é responsabilidade da planta e atraso de chegada é da transportadora.
- O que conta como início da estadia?
- A entrada pelo portão, e não a chegada à doca. É a diferença que mais aparece na conferência: o veículo entrou às 8h, encostou às 11h, e as três horas de pátio existiram. O registro começa quando a portaria dá entrada e termina quando ela libera a saída.
- O motorista assina o quê, e quando?
- O relatório de tempos e movimentos, ainda no portão, antes de sair. Uma linha por etapa — entrada, espera no pátio, cada doca com o combinado ao lado do realizado, e a saída — com campo de aceite. Assinar no portão e discutir por telefone três dias depois são conversas diferentes.
- E se o caminhão passar por mais de uma doca?
- É o caso comum em planta com recebimento segregado, e o percurso acompanha. A visita do veículo tem uma ou mais paradas, cada uma com a própria doca e os próprios tempos, e o relatório mostra as etapas separadas. As partes somam exatamente o total: um relatório que não fecha com o próprio número perde a discussão na primeira conferência.
- Preciso instalar antena, tag ou catraca?
- Não. A portaria registra a placa numa tela, a torre direciona e a doca confirma. O motorista lê um QR na entrada e acompanha pelo navegador do próprio celular, sem instalar nada. O que produz o registro é a operação acontecendo, não um sensor a mais.
Ver como fica na sua planta
O módulo de docas está no plano Logística, a R$900 por mês por unidade, com agendamento por janela, portaria, torre de controle e o relatório de tempos e movimentos.